"Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e feliz."
Madre Tereza de Calcutá
De todas as vezes que estive triste, nenhuma me deixou vazia ou oca. Eu sempre, ainda que lá do fundo do meu coração, de forma muito rasa, encontrei algo de bom pra dizer, doar ou transmitir. Isso não me torna uma santa, uma Madre Tereza de Calcutá ou mesmo me torna uma pessoa excepcional. Não. Mas me faz ser diferenciada. E é essa diferenciação que me trona um ser humano excepcional. Porque me faz olhar todo mundo a minha volta com os olhos da alma, me fazendo perceber o que por vezes é invisível aos olhos humano.
Sempre acreditei, de verdade, que é nos momentos de maiores dores e sofrimentos que conseguimos dar o que temos de melhor, pois aprendemos muito. Aprendemos muito mais com a dor do que com o amor. Isso é cultural, não se culpe por ser assim. Aprendemos desde pequenos, de forma automatizada, que quando estamos felizes e as coisas estão bem, não há por que se preocupar e por isso, deixamos tudo fluir, sem dar atenção para o que está do lado. Eu estou bem, então tudo está bem. Mas o que acontece quando eu estou triste? Pare um pouco a leitura e faça uma retrospectiva da sua vida. Nos momentos em que você estava triste, ferido, deprimido, o mundo perdeu a cor, não é?
Pois bem! Nesse momento você olhava para os que estavam ao seu redor e não entendia de onde vinha tanta felicidade. Porque naquele momento você estava invisível ao mundo. As pessoas estão preocupadas com seus problemas, seus afazeres, suas rotinas e na maioria, eu disse na maioria das vezes, não se importam com o outro. E porque somos assim? Porque somos sovinas de amor, de respeito, de comprometimento, de compaixão, de felicidade. Se importar com o outro é expandir energia cósmica ao Universo e deixar que o amor tome conta de cada ser. Economizar amor é avareza. É coisa de quem funciona apenas na freqüência da escassez, é ter medo de gastar seus sentimentos por que podem lhe faltar depois. Não precisamos viver contando moedinhas de afeto. Há amor para quem se conecta com ele. Existe muito amor, amor para todo o mundo. Não falta amor, falta amar. Não perdemos nada quando damos, pelo contrario, ganhamos. E porque não podemos ganhar juntos?
Eu tenho um amigo que sempre que me encontra me diz a mesma coisa: "como é bom receber o teu abraço". Apenas um abraço pode transformar o dia de alguém. Não é incrível? Então porque economizar nesse pequeno gesto? Meu abraço é apertado, é muito forte, pois quando abraçamos alguém nossos corações se tocam. O abraço é troca de energia, de carinho, de conforto. Não precisa de nenhuma palavra, o abraço por si só se basta. Um abraço tem o poder de transmitir tudo que há no coração. A sintonia é gigantesca e por vezes não conseguimos mensurar esse sentimento, mas é facilmente perceptível. Não temos porque economizar no amor que vem da alma. E economizar amor é algo que não tem nenhuma explicação.
Quando nos tornamos sovinas da alma, acabamos por reter a fonte da felicidade, da paz, da esperança e do ânimo que constitui como alimento indispensável à própria vida. O sovina das bênçãos da alma gera a estagnação onde se encontra, envolvendo-se ele mesmo em nevoeiro perturbador. E quando não enxergamos nada a nossa frente passamos a viver como um zumbi, que tenta alimentar a si próprio tirando energias alheias. E quando eu sei que me tornei um zumbi? Quando me fecho em um mundo que apenas eu tenho problemas, apenas eu sofro, e vivo me martirizando. Onde as minhas queixas são maiores que meus agradecimentos. Quando esqueço de dar o que eu tenho de melhor, e quero apenas receber, pois sou sempre o infeliz da situação. E não pense que é difícil chegar ao patamar de um zumbi. Não. Começamos com pequenas reclamações diárias que evoluem para dias repletos de reclamações. E não esqueça que você tem o poder da escolha. Você tem o livre arbítrio de tornar-se avarento ou ser um distribuidor abundante de amor. Você vai ser Zumbi ou um ser diferenciado? A escolha é sua.